domingo, 28 de outubro de 2012

Happy day!

     Hoje foi um dia incrivelmente agradável. Acordamos cedo, como é habitual ,e rumamos até à companhia de pessoas que nos são muito queridas. Um almoço agradável, um passeio pelo quintal e rumamos até casa.
     A tarde também foi tranquila e dedicada à pessoa que normalmente está em último lugar: eu. :)
     

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O efeito Gabriela

     Enquanto o país vai de mal a pior, o que fazem os portugueses? Enquanto uns vão para a rua, outros são silenciados pelo poder do horário nobre das televisões privadas. Horário este, que nada tem de nobre,porque só transmite lixo. Ora vejamos, a TVI bombardeia-nos diariamente com a casa dos segredos e novelas nacionais, enquanto que a SIC leva a sua avante com a fogosa novela: Gabriela. Esta terá como principal objetivo, silenciar os portugueses e levá-los a aumentar a sua atividade sexual. Assim, no lugar de pensar em coisas mais sérias, passa o seu tempo a pensar em assuntos da cueca.
     Ah! E não me posso esquecer de referir um produto que surge no mercado como "um estimulador da arte de pinar": Libifeme. Uma verdadeira maravilha da natureza que te leva a querer " mais e mais".
    E assim vai o país...
     

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Junte-se a nós!

      Tive conhecimento desta iniciativa o ano passado e "apadrinhei" logo uma criança. O que pedem é muito simples e fácil de adquirir: uns querem mochilas, outos livros, bonecas, jogos....    Este ano,  vou contribuir novamente para esta iniciativa.
      Junte-se a nós! ;)

     Pelo 4º ano consecutivo, a PRIMAVERA BSS em parceria com as CÁRITAS propõe-se promover a campanha Natalícia “Um brinquedo por um sorriso”, campanha nacional que visa a oferta de um brinquedo a crianças desfavorecidas, procurando ir ao encontro dos seus sonhos. Há semelhança dos anos anteriores, a ação de 2012 contemplará crianças dos 0 aos 12 anos, apoiadas pelas CÁRITAS de Viana do Castelo, Braga, Aveiro, Viseu, Coimbra, Lisboa, Portalegre, Évora, Beja, Setúbal, Funchal e Ilha Terceira (Açores).

E porque sabemos que “Um brinquedo por um sorriso” cria a magia do Natal, convidamos desde já os padrinhos da iniciativa a acarinharem mais esta ação e a manifestarem desde já a sua vontade em participar.
As listas de crianças serão divulgadas até ao final do mês de Outubro.
Como participar:
Para participar basta enviar um email para um.brinquedo.por.um.sorriso@primaverabss.com indicando a sua vontade em ajudar.


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Emanuel Félix

       Durante uns anos ouvi o meu pai e a minha avó paterna  falarem deste senhor. A ligar-nos havia laços de sangue, interrompidos por decisões de vida que não agradaram, e  isto ditou o afastamento desta figura que se fez ao mundo.
       Gostaria do o ter conhecido pessoalmente. Lembro-me de o avistar a subir, ou a descer a rua da Sé, mas sempre achei "esquisito" abordar alguém na rua e proclamar-se seu parente.
       Hoje faria 76 anos e quis fazer-lhe esta pequena homenagem.
       Aqui fica um dos seus enúmeros poemas:


PEDRA-POEMA PARA HENRY MOORE


Um homem pode amar uma pedra


uma pedra amada por um homem

não é uma pedra

mas uma pedra amada por um homem


O amor não pode modificar uma pedra

uma pedra é um objecto duro e inanimado

uma pedra é uma pedra e pronto

Um homem pode amar o espaço sagrado


que vai de um homem a uma pedra

uma pedra onde comece qualquer coisa ou acabe

onde pouse a cabeça por uma noite

ou sobre a qual edifique uma escada para o alto

Uma pedra é uma pedra

(não pode o amor modificá-la nem o ódio)

Mas se a um homem lhe der para amar uma pedra

não seja uma pedra e mais nada

mas uma pedra amada por um homem

Ame o homem a pedra

e pronto








terça-feira, 23 de outubro de 2012

Em obras

      Após uma mais do que merecida pausa, cá estou eu de volta.
      De momento estou a repensar o futuro desta página, no entanto, já procedi a uma mudança de visual.

     Brevemente estarei de volta! :)

domingo, 1 de julho de 2012

Amor burguês

Havemos de engordar juntos.
     Normalmente, toda a gente está demasiado preocupada em colocar a barra que diz "cliente seguinte", estão ansiosos, nervosos, têm medo que aquele que está à frente lhes leve os iogurtes, têm medo de pagar o fiambre daquele que está atrás. Enquanto não marcam essa divisão, não descansam. Depois, não descansam também, inventam outras maneiras de distrair-se. É por isso que poucos chegam a aperceber-se de que a verdadeira imagem do amor acontece na caixa do supermercado, naqueles minutos em que um está a pôr as compras no tapete rolante e, na outra ponta, o outro está a guardá-las nos sacos.
     As canções e os poemas ignoram isto. Repetem campos, montanhas, praias, falésias, jardins, love, love, love, mas esse momento específico, na caixa do supermercado, tão justo e tão certo, é ignorado ostensivamente por todos os cantores e poetas românticos do mundo. Bem sei que há a crueza das lâmpadas fluorescentes, há o barulho das caixas registadoras, pim-pim-pim, há o barulho das moedas a caírem nas gavetas de plástico, há a musiquinha e os altifalantes: responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12, responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12; mas tudo isso, à volta, num plano secundário, só deveria servir para elevar mais ainda a grandeza nuclear desse momento.
     É muito fácil confundir o banal com o precioso quando surgem simultâneos e quase sobrepostos. Essa é uma das mil razões que confirma a necessidade da experiência. Viver é muito diferente de ver viver. Ou seja, quando se está ao longe e se vê um casal na caixa do supermercado a dividir tarefas, há a possibilidade de se ser snob, crítico literário; quando se é parte desse casal, essa possibilidade não existe. Pelas mãos passam-nos as compras que escolhemos uma a uma e os instantes futuros que imaginámos durante essa escolha: quando estivermos a jantar, a tomar o pequeno-almoço, quando estivermos a pôr roupa suja na máquina, quando a outra pessoa estiver a lavar os dentes ou quando estivermos a lavar os dentes juntos, reflectidos pelo mesmo espelho, com a boca cheia de pasta de dentes, a comunicar por palavras de sílabas imperfeitas, como se tivéssemos uma deficiência na fala.

     Ter alguém que saiba o pin do nosso cartão multibanco é um descanso na alma. Essa tranquilidade faz falta, abranda a velocidade do tempo para o nosso ritmo pessoal. É incompreensível que ninguém a cante.

     As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.

Havemos de engordar juntos.

     Estas situações de amor tornam-se claras, quase evidentes, depois de serem perdidas. Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é atravessar sozinho os corredores do supermercado: um pão, um pacote de leite, uma embalagem de comida para aquecer no micro-ondas. Não é preciso carro ou cesto, não se justifica, carregam-se as compras nos braços. Depois, como não há vontade de voltar para a casa onde ninguém espera, procura-se durante muito tempo qualquer coisa que não se sabe o que é. Pelo caminho, vai-se comprando e chega-se à fila da caixa a equilibrar uma torre de formas aleatórias.

     Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é estar sozinho no sofá a mudar constantemente de canal, a ver cenas soltas de séries e filmes e, logo a seguir, a mudar de canal por não ter com quem comentá-las. Ou, pior ainda, é andar ao frio, atravessar a chuva, apenas porque se quer fugir daquele sofá.

     E os amigos, quando sabem, não se surpreendem. Reagem como se soubessem desde sempre que tudo ia acabar assim. Ofendem a nossa memória.
     Nós acreditávamos.

     Havemos de engordar juntos, esse era o nosso sonho. Há alguns anos, depois de perder um sonho assim, pensaria que me restava continuar magro. Agora, neste tempo, acredito que me resta engordar sozinho.

José Luís Peixoto, in revista Visão (Janeiro, 2012)
















Há quem tenha tudo e não o valorize. Há quem não tenha nada e tenha que se conformar a isso.
São sortes!